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Facebook no ambiente de trabalho: ajuda ou atrapalha?

Publicado em 20 de Jun de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Veja o que especialistas em Recursos Humanos têm a dizer sobre o assunto



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

Quando decidiu cortar de vez o uso de redes sociais e comunicadores instantâneos da equipe de 12 profissionais, Laura Polleto achou que o caos seria instalado. A diretora do Armazém Imobiliário bem que tentou evitar a medida, mas as influências do Facebook falaram mais alto. “Sempre que acessava a fan page da imobiliária para atualizar alguma foto ou publicar algum imóvel para os seguidores, via esse ou aquele funcionário publicando conteúdo. Quase todas as vezes se tratava de algo particular e em alguns casos comentando sobre assuntos internos”, explica Laura. Primeiro veio a conversa, depois o alerta oficial, até que o decreto da proibição foi pregado à moda antiga: no mural de avisos. Uma forma de mostrar para quem quisesse ver que o Facebook ali não era bem-vindo.

facebook

“Eram clientes que não recebiam retorno. Funcionários que deixavam o ramal tocar enquanto conversavam com amigos virtuais. O rendimento da equipe estava indo pelo ralo”, lembra a executiva. Agora, quatro meses depois da decisão, tudo parece fluir nos conformes. Não há bloqueadores nos computadores. É na base da confiança. Laura está satisfeita: “Tenho certeza de que o perfil é acessado pelo celular ou tablet, mas posso garantir que o rendimento já está bem melhor com a proibição do uso nos computadores da empresa”.

Para a especialista em RH e sócia-diretora da People on Time Consultoria, Elvira Berni, não há uma fórmula mágica para lidar com as redes sociais no ambiente de trabalho. Não se trata de permitir ou proibir, e sim de ter bom senso. “Passar horas - que deveriam ser gastas no trabalho - conversando com amigos ou marcando encontros não é uma postura apropriada para o ambiente corporativo. Mas, por outro lado, é possível entrar em contato com um fornecedor ou funcionário através do chat, podendo ser mais rápido e eficaz do que enviar um e-mail”, exemplifica Elvira.

A criação de regras para o uso consciente –ou proibição completa – deve variar de empresa para empresa. Caso o acesso às redes sociais, realmente, esteja atrapalhando o funcionamento dos departamentos, o motivo do uso exagerado deve ser identificado antes de qualquer decisão. “A motivação e maturidade do colaborador devem ser observadas”, diz Elvira. O uso do Facebook ainda divide opiniões de gestores e especialistas em recursos humanos. A gestora de imagem e diretora-geral da Press à Porter Gestão de Imagem, Claudia Reis, afirma que para empresas que não têm a comunicação ou o marketing como core business, a redução de privacidade é uma realidade. As redes sociais envolvem e mobilizam. Alguns profissionais chegam a ficar viciados nelas. “Quando a empresa não enxerga qualquer benefício na utilização de redes sociais e não acredita que ela possa ser uma ferramenta importante de relacionamento, marketing ou mesmo comercial, tem todo o direito de desligar.

Deve avaliar apenas se uma medida tão drástica não causará uma desmotivação nos profissionais que afetará mais a produtividade do que o uso das redes em si”, pontua Claudia. Por outro lado, a Gerente de Consultoriada StautRH, Ana Paula Pagan, não enxerga a necessidade de uma “campanha contrária” ao Facebook.

“Eu particularmente não vejo problemas, pois as pessoas utilizam para ouvir músicas postadas, desejar parabéns para amigos, ‘desanuviar’ – como se diz nointerior –, das pressões e tarefas do trabalho, e isso pode tornar o profissional ainda mais produtivo e concentrado nas atividadesde trabalho”, opina Ana Paula, que reforça que o bom senso, sempre, deve ser o combustível da conduta. Para a especialista, o passatempo é uma ferramenta interessante para manter a noção de liberdade, confiança e motivação do profissional.

 

PROIBIÇÃO POR COMPLETO

Casos de empresas que bloqueiam o acesso em computadores corporativos são mais comuns do que se imagina. O problema é que muitos brasileiros – 70,9 milhões, segundo a Teleco – tem acesso à internet nos dispositivos móveis. Ou seja, se quer fechar o cerco contra as redes sociais, é preciso proibir também os celulares. “As empresas com políticas restritivas às redes sociais devem, sem dúvida, estendê-las ao uso mobile. Isso não vai impedir o colaborador de acessar o Facebook durante o expediente, mas vai deixar claro que isso não está correto. Quem fizer, fará com a consciência de que está burlando uma norma interna da companhia”, esclarece Claudia Reis, que trata o assunto como caso de segurança da informação. Na maior parte das vezes, basta informar ao colaborador que todas as normas de conduta que ali estão, especialmente as relacionadas aos colegas de trabalho e confidencialidade de informações da empresa e de clientes, também se aplicam às informações ou imagens postadas nas redes sociais.

TUDO TEM SUA HORA

Independentemente se a sua empresa vai liberar ou proibir o uso, é importante destacar que - seja para o bem ou para o mal -, as redes sociais podem, sim, resultar na queda do rendimento do profissional. Prazos não cumpridos são os primeiros sinais. Mesmo utilizando a ferramenta para realizar tarefas de trabalho, o colaborador pode se distrair com um bate-papo fora de hora, acompanhar uma atualização, curtir ou comentar uma foto ou atualização do perfil de um amigo. “Se tiver que trabalhar paralelamente ao Facebook, algumas dicas são essenciais para não perder o foco: desativar o chat e abrir a página quando realmente for utilizá-la, evitando aquela ‘olhadinha’ fora de hora”, comenta Elvira Berni, da People on Time Consultoria. Ana Paula Pagan acredita que é, praticamente, impossível não entrar no Facebook, pelo menos uma ou duas vezes ao dia, para se “atualizar” e conversar fora do ambiente detrabalho.

“Não acho um mal necessário, mas sim, se utilizando de forma dosada e com bom senso, o momento de lazer e de sair de dentro do escritório e voltar mais concentrado para as atividades do trabalho”, reforça a gerente da StautRH. O importante é que o empresário invista em motivação e valorização dos funcionários, além do espírito de time, para que o próprio grupo cobre um ao outro para a realização da tarefa, seja por interesse financeiro, por orgulho de pertencer àquela empresa ou departamento ou pela excelente relação de troca que o funcionário e a empresa têm.

CONSEQUÊNCIAS

Há relatos de profissionais – que usam constantemente o Facebook na empresa – que dizem que ficam deprimidos com algumas atualizações ou usam a rede social para “distrair” a cabeça quando não conseguem concentração na tarefa e acabam perdendo a noção do tempo. Mas de que forma o RH deve lidar com esse tipo de situação, afinal, o processo ainda é muito novo? Elvira Berni tem a certeza de que não se pode desprezar esse movimento, pois é um caminho sem volta, não só para o RH, mas para o mercado como um todo.

Para o profissional de RH que sempre acompanhou o clima da empresa é imprescindível, agora, considerar essa movimentação. “A empresa deve procurar entender a importância das redes sociais em geral para o ambiente profissional e agregar esses valores ao dia a dia, inserindo-as na rotina de trabalho dos funcionários e priorizando o bom senso de cada um em relação ao uso”, complementa Elvira.

A gestora de imagem e diretora da Press à Porter Gestão de Imagens, Claudia Reis, finaliza: “Há atividades em que o acesso a qualquer conteúdo que possa tirar o foco de atenção do profissional coloca a operação em risco. Nesse caso não há dúvida alguma de que não se deve dar acesso, pois o risco jurídico é da companhia”.

 

Coleção Gestão& Negócios - Gestor de Sucesso


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